Aprenda sobre o sonhar

A gente sonha colorido?

Pergunte a alguém logo que acorda e a resposta mais comum será: «sonho colorido, claro». Só que, lá pelos anos 1950, muita gente garantia sonhar em preto e branco. Essa virada é uma das histórias mais curiosas da pesquisa sobre sonhos — e diz tanto sobre memória e cultura quanto sobre o cérebro adormecido.

Este guia percorre a cor e os outros sentidos no sonho: o que vemos, ouvimos, tocamos, cheiramos e provamos, e como as pessoas cegas vivem as suas noites. Se uma cor específica chamou sua atenção, a página de cores do dicionário reúne as leituras simbólicas.

O mistério do preto e branco

Levantamentos dos anos 1940 e 1950 encontraram muita gente — em alguns estudos, a maioria — descrevendo sonhos quase sempre em preto e branco. A partir dos anos 1960 o quadro virou e a maioria passou a relatar cor. Não mudaram os olhos nem o cérebro: mudou o ambiente de imagens, que por décadas foi o do cinema e da televisão sem cor.

Uma pesquisa escocesa de 2008 viu que adultos mais velhos, criados com TV em preto e branco, relatavam bem mais sonhos monocromáticos do que jovens que cresceram com tela colorida. Filósofos que estudam o tema lembram que a lembrança de um sonho é frágil e que talvez a gente a descreva com a linguagem das mídias que nos são familiares. De um jeito ou de outro, fica a lição: o relato do sonho também depende do que esperamos dele.

Por que a cor às vezes some

Muita gente não sabe dizer se o sonho tinha cor. Faz sentido: acordados, também não reparamos na cor da maioria das coisas, a não ser que ela importe. No sonho é igual. Uma porta vermelha ou um mar muito azul podem aparecer fortes porque carregam sentido, enquanto o resto simplesmente «está lá», sem tom definido.

Quando a cor chama atenção — um céu vermelho, uma luz dourada, um quarto todo branco —, costuma vir com peso emocional. Cores intensas demais também são típicas dos sonhos vívidos e dos lúcidos, e há quem as perceba mais saturadas depois de mudanças no sono ou nos remédios.

Ouvir, tocar, cheirar, provar — e sentir dor

A visão domina os relatos, mas a audição aparece bastante: vozes, música, alarmes, alguém chamando seu nome. Tato e movimento — cair, voar, correr, ser abraçado — também são frequentes, e é por isso que sonhos de cair e de voar podem deixar um eco no corpo ao acordar.

Cheiro e sabor são bem mais raros, surgem numa pequena parte dos relatos, muitas vezes em refeições ou cenas muito emotivas. A dor sonhada também é incomum, mas documentada, e às vezes coincide com um incômodo real do corpo durante a noite. Se uma sensação parecer física demais, vale anotar: às vezes o corpo só está mandando um aviso para dentro do sonho.

Como sonham as pessoas cegas

Quem nasceu cego ou perdeu a visão muito cedo geralmente relata sonhos sem imagens, mas cheios de som, tato, cheiro, sabor e noção de espaço e movimento. Um estudo dinamarquês encontrou mais pesadelos entre pessoas cegas de nascença do que entre pessoas que enxergam — talvez porque o dia a dia delas envolva mais situações de risco a contornar.

Quem perde a visão mais tarde, principalmente depois da primeira infância, costuma manter sonhos visuais, ainda que as imagens possam ir ficando mais raras ou mais apagadas com os anos. Tudo indica que o sonho é feito do tipo de experiência que cada pessoa realmente vive — a mesma continuidade descrita em por que sonhamos.

Letras, relógios e outros detalhes instáveis

Alguns detalhes se comportam de forma estranha no sonho. Um texto muda quando você olha de novo, o relógio marca horas impossíveis, o interruptor não muda a luz. Quem pratica sonho lúcido conhece bem essas falhas e as usa como «testes de realidade»; o guia de sonhos lúcidos ensina como.

Números que se repetem ou se transformam são uma experiência vizinha e têm verbete próprio: números repetidos. Se quiser observar os seus sentidos oníricos, acrescente uma linha ao diário toda manhã: quais sentidos estavam presentes e que cor ou som se destacou. Em lembrar dos sonhos você vê como pegar esses detalhes antes que sumam.

As pessoas também perguntam

A maioria das pessoas sonha colorido?+

Sim. Hoje quase todo mundo relata cor na maior parte dos sonhos, embora muitos não tenham certeza, porque a cor passa despercebida quando não importa.

Por que algumas pessoas sonham em preto e branco?+

As pesquisas sugerem que crescer com cinema e TV em preto e branco influenciou o jeito de lembrar e descrever os sonhos. Memória e expectativa moldam o relato.

Dá para sentir cheiro ou gosto no sonho?+

Dá, mas é raro. Cheiro e sabor aparecem numa parte pequena dos relatos, bem atrás da visão, da audição e do movimento.

Pessoas cegas sonham?+

Sim. Quem é cego de nascença sonha com sons, tato, cheiros, sabores e movimento, em vez de imagens. Quem perde a visão mais tarde costuma manter alguns sonhos visuais.

Dá para sentir dor em sonho?+

Acontece, mas não é comum. Às vezes está ligado a um desconforto real do corpo durante o sono.

Símbolos relacionados

Como o sonhar funciona

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